Conheça riscos de utilizar equipamentos de ultrassom descalibrados

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Conheça riscos de utilizar equipamentos de ultrassom descalibrados

Nós já falamos aqui no Blog RentalMed sobre os riscos de utilizar equipamentos estéticos sem registro na ANVISA. E também sobre a importância de checar a manutenção dos equipamentos estéticos que você aluga. Para o post de hoje, o Prof. Dênis Barnes nos trouxe uma matéria um pouco mais específica: Conheça riscos de utilizar equipamentos de ultrassom descalibrados!

Metrologia

Metrologia é a ciência que compreende todos os aspectos teóricos e práticos referentes a medições, constituindo-se em um importante instrumento para o desenvolvimento das atividades econômicas, científicas e tecnológicas. Um apoio científico forte e confiável e um princípio de medição harmonizado são indispensáveis para fornecer eficiência nos serviços que atendam às necessidades da população.

O risco de equipamentos biomédicos descalibrados

O Dr. Samuel Dwane Thomas, residente em urologia do Hospital Episcopal na Filadélfia – EUA estava realizando uma cirurgia nomeada prostatectomia transuretral usando para isso um aparelho conhecido como ressectoscópio. Repentinamente, na metade da operação, o equipamento descalibrado falhou e o Dr. Thomas sofreu uma severa queimadura de origem elétrica, afetando diretamente a córnea de seu olho direito.

Acidente no ambiente hospitalar e ambulatorial são fatos. Estes envolvem como citado no exemplo acima, o profissional da área da saúde como também pacientes, visitantes, instalações e equipamentos. Muitos acidentes acarretam vários tipos de danos, sendo que destes, alguns dão origem a ações legais movidas entre os envolvidos. Essa situação tem ocorrido e sido registrada, com frequência, em países desenvolvidos.

Ultrassom: um dos recursos terapêuticos mais utilizados em clínicas e consultórios de Dermato Estética

O Ultrassom Terapêutico é um dos métodos de tratamento mais utilizados pelos terapeutas para intervenção terapêutica nos tecidos, dentre outras aplicações. O equipamento de ultrassom terapêutico é um gerador de corrente elétrica de alta frequência, que se conecta a uma cerâmica piezelétrica sintética, contida no transdutor, que se deforma quando é submetida a um campo elétrico (Figuras 1 e 2).

Figura 1- Imagem cristal
Figura 1- Imagem cristal
Figura 2- Localização do cristal no transdutor de ultrassom
Figura 2- Localização do cristal no transdutor de ultrassom

Contudo, para que determinado material possa ser utilizado como transdutor, é necessário cortá-lo de forma que, quando aplicado um campo elétrico alternado, ocorram as variações em sua espessura, dando origem às ondas sonoras. A quantidade total de energia a qual um tecido biológico é submetido depende dos seguintes parâmetros: potência acústica, tempo, frequência e área de radiação efetiva (Effective radiation area – ERA).

Os terapeutas devem conhecer os parâmetros corretos para utilização do ultrassom

Torna-se imprescindível, portanto, para que determinada área seja atingida pelas ondas ultrassônicas, o reconhecimento de uma série de fatores: intensidade, frequência, regime de pulso, área do transdutor, tempo de aplicação, técnica de aplicação e agente de acoplamento.

Com o conhecimento destes fatores, os terapeutas utilizam o ultrassom terapêutico para acelerar reparo tecidual, a consolidação de fraturas, melhorar a penetração de medicamentos e para tratamentos na área da dermatologia estética.

Mercado exige profissionais habilitados e capacitados mas que conheçam a importância da manutenção periódica de seus aparelhos

Contudo, para atingir todos estes objetivos são necessários que estes equipamentos estejam calibrados, fornecendo a onda sônica necessária à finalidade determinada, evitando que a atuação da mesma seja ineficaz, ou que ocorram excessos que possam causar danos teciduais ou aumento do problema.

É importante garantir a dosagem correta, sendo que é possibilitada somente pela calibração periódica destes equipamentos. Internacionalmente, a IEC 61689 (Ultrasonics-physiotherapy system – performance, requirements and methods of measurements in the frequency range 0,5 MHz to 5 MHz), atualizada em 1996, exige que os aparelhos de ultrassom terapêutico não tenham alteração nos valores indicados em seus painéis acima de 15%. No Brasil, é exigida a mesma norma, mas com edição em 1998, pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

No que tange às fontes de erros relacionadas aos equipamentos, ações periódicas de aferição, calibração, manutenção e treinamento de operação minimizam o problema, podendo evitar acidentes que coloquem em risco a vida do paciente e/ou operador, em casos adversos como na falta de manutenção, operação inadequada, defeitos de fabricação, etc.

Algumas definições preliminares são pertinentes:

– Aferição: É o conjunto de atividades e operações utilizadas para comparar um valor medido com um valor especificado como padrão, mas aplicando uma correção (manutenção corretiva).

– Calibração: São os conjuntos de atividades e operações que estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento de medição ou sistema de medição, ou ainda valores representados por uma medida materializada ou um material de referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões. O resultado de uma calibração permite tanto o estabelecimento dos valores do mensurado para as indicações, como a determinação das correções a serem aplicadas. Uma calibração pode, também, determinar outras propriedades metrológicas como o efeito das grandezas de influência. O resultado de uma calibração pode ser registrado em um documento, algumas vezes denominado Certificado de Calibração ou Relatório de Calibração (Emissão de “Laudo”).

– Manutenção: Consiste em troca de peças, ajustes, regulagem, aferições, correções a serem aplicadas quando a calibração sugerir. Pode ser preventiva, corretiva ou reparadora e preditiva.

Qual o intervalo de tempo correto para a manutenção do ultrassom de sua clínica?

Ainda não existe consenso sobre qual é o intervalo de tempo ideal para a realização das calibrações dos equipamentos de ultrassom terapêutico. Alguns autores limitam-se a afirmar que, na Inglaterra, estes equipamentos são calibrados a cada três ou seis meses nas instituições do Sistema Nacional de Saúde e, nas clínicas particulares, a cada ano, outro, por sua vez, sugere uma calibração anual.

Atualmente, os procedimentos metrológicos para correta aferição não são habitualmente adotados, tanto pela inexistência de uma cultura dos usuários de realizar as medições, como pelo restrito número de equipamentos necessários para a sua realização, além da ausência de uma norma nacional que regulamente este procedimento, além do alto custo, gerando dificuldades no acesso.

Isso posto, em 1986 foi desenvolvido um novo método, baseado na utilização de uma balança semianalítica (Figura 3), que apresenta baixo custo, normalmente encontrada em laboratórios de análises, de fácil acesso, com boa precisão e elevada praticidade.

Figura 3- Balança semianalítica
Figura 3- Balança semianalítica

Entretanto, a balança semianalítica possui apenas 3 (três) casas decimais, com capacidade para medir 1,0 mg, sendo que a capacidade de determinar 0,1 mg, ou seja, com 4 (quatro) casas decimais, tornaria a aferição mais sensível às variações de insonação. Através desta afirmação, alguns autores realizaram estudos adaptando o método da balança semianalítica para a balança analítica, mostrando-se satisfatório, por ter demonstrado diferença em torno de 2,6% em relação ao método da balança de radiação.

Pesquisas realizadas no Brasil preocupam sobre a manutenção dos equipamentos

Estudos realizados por Ishikawa em 2002, na avaliação do desempenho de equipamentos de UST de clínicas e hospitais da capital do Rio de Janeiro, de acordo com a NBR-IEC 1689, considerando os parâmetros: intensidade, área de radiação efetiva, frequência ultrassônica, relação de não uniformidade, intensidade máxima do feixe, tipo de feixe e forma de onda de modulação para o modo pulsado, fator de operação e exatidão do temporizador, como métodos de avaliação, foram utilizados: balança de força de radiação e osciloscópio digital (capaz de captar a frequência ultrassônica de trabalho através do eletrodo de fio de prata posicionado em frente ao cabeçote a uma distância de 1,0 cm de sua face), sendo verificado que nenhum dos equipamentos atendeu completamente à norma, possibilitando a ineficiência do tratamento e promoção de efeitos indesejados, submetendo pacientes e terapeutas a riscos desnecessários.

O mesmo autor ainda relatou que a medição dos parâmetros avaliados deve se tornar rotineira para que se tenha uma correta utilização do equipamento, prevenindo tratamentos inadequados que possam vir a acontecer por alterações das intensidades fornecidas pelos equipamentos. Desta forma, torna-se necessário o desenvolvimento de técnicas mais simples, de baixo custo e eficientes para a aferição dos equipamentos de ultrassom.

A confiabilidade metrológica dos equipamentos biomédicos com realização de calibrações rastreadas a padrões internacionais garante não somente a segurança dos tratamentos, mas também a desejável comparabilidade internacional nas biomedições.

A DICA MAIS IMPORTANTE

LEMBREM:

Os equipamentos biomédicos no Brasil, conforme sua classificação quanto ao potencial de risco à saúde de seus usuários (pacientes e/ou operadores), necessitam de registro da ANVISA para que os fabricantes os lancem no mercado consumidor.

A Certificação da Conformidade resulta não somente na proteção da integridade física dos usuários, como também na implementação de um ciclo virtuoso entre os sistema regulador e produtivo. A adaptação dos equipamentos e de seus fabricantes aos regulamentos técnicos estimula melhorias qualitativas nos produtos e processos de fabricação.

Referências:

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Fonte:

Sabe os riscos de equipamentos de Ultrassom Descalibrados??

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